Tenho ouvido falar sobre uma nova vacina para o cancro do colo do útero e gostaria de saber qual o seu grau de eficácia e em que casos é recomendada. Uma pessoa que não tome esta vacina pode prevenir o aparecimento deste tipo de cancro de outra forma? Que cuidados devo ter neste sentido?
O cancro do colo do útero é um cancro frequente, ligado à actividade sexual. É o segundo cancro na hierarquia de mortalidade por cancro da mulher verificada em Portugal.
Têm maior risco aquelas que iniciaram uma actividade sexual precoce na adolescência, que tiveram, ou têm, vários parceiros sexuais e que não realizam rastreio de prevenção.
O cancro do colo é um cancro ligado à infecção pelo vírus HPV. Este vírus tem dezenas de tipos diferentes e só alguns são capazes de produzir alterações nas células do colo do útero que poderão originar cancro.
É de notar que o vírus do HPV é predominantemente de transmissão sexual e que uma vez adquirido provoca lesões benignas, localizadas, no colo do útero, na vagina ou na vulva.
Se um dos quatro tipos perigosos do vírus estiver envolvido as lesões, inicialmente benignas, podem transformar-se em malignas.
Mas nem todas se transformam e as que têm esta evolução necessitam de cerca de sete a dez anos.
Uma mulher que realize a cada um ou dois anos o rastreio citológico, isto é, o teste Papanicolau, verá com grande probabilidade identificadas as lesões benignas precursoras e a infecção pelo HPV que podem ser tratadas atempadamente.
O risco de cancro poderá ser mais elevado naquelas que não estão sob vigilância do ginecologista e que não realizam o rastreio citológico.
Neste contexto, a utilização da vacina tem mais sentido a nível da população em geral do que a nível individual e deverá ser preferencialmente utilizada na adolescência e em contextos de início de actividade sexual.

Ginecologista obstetra
Ligações