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Terça-feira, 4 de Setembro de 2007
Cancro do colo do útero

Tenho ouvido falar sobre uma nova vacina para o cancro do colo do útero e gostaria de saber qual o seu grau de eficácia e em que casos é recomendada. Uma pessoa que não tome esta vacina pode prevenir o aparecimento deste tipo de cancro de outra forma? Que cuidados devo ter neste sentido?


 

O cancro do colo do útero é um cancro frequente, ligado à actividade sexual. É o segundo cancro na hierarquia de mortalidade por cancro da mulher verificada em Portugal.


Têm maior risco aquelas que iniciaram uma actividade sexual precoce na adolescência, que tiveram, ou têm, vários parceiros sexuais e que não realizam rastreio de prevenção.


O cancro do colo é um cancro ligado à infecção pelo vírus HPV. Este vírus tem dezenas de tipos diferentes e só alguns são capazes de produzir alterações nas células do colo do útero que poderão originar cancro.


É de notar que o vírus do HPV é predominantemente de transmissão sexual e que uma vez adquirido provoca lesões benignas, localizadas, no colo do útero, na vagina ou na vulva.


Se um dos quatro tipos perigosos do vírus estiver envolvido as lesões, inicialmente benignas, podem transformar-se em malignas.


Mas nem todas se transformam e as que têm esta evolução necessitam de cerca de sete a dez anos.


Uma mulher que realize a cada um ou dois anos o rastreio citológico, isto é, o teste Papanicolau, verá com grande probabilidade identificadas as lesões benignas precursoras e a infecção pelo HPV que podem ser tratadas atempadamente.


O risco de cancro poderá ser mais elevado naquelas que não estão sob vigilância do ginecologista e que não realizam o rastreio citológico.


Neste contexto, a utilização da vacina tem mais sentido a nível da população em geral do que a nível individual e deverá ser preferencialmente utilizada na adolescência e em contextos de início de actividade sexual.





Publicado por João Luís Silva Carvalho às 10:31
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Comentários:
De Maria José Brito a 18 de Fevereiro de 2008 às 12:14
Tenho 55 anos, o último Papanicolau deu grau 2, foi-me dito que apesar de ter contornos do útero levemente irregulares, fibromiomas intersticiais posteriores 8 e 12 mm. Utero com 3 fibromiomas 8 -12 e 19mm, estava tudo bem. O certo é que tenho uma amiga da mesma idade com Papanicolau grau 1 e está com cancro no colo do útero, não operaram, fez quimioterapia, radioterapia e braquioterapia no IPO-Porto, o tumor dizem ter diminuido mas o certo é que esta neste momento cheia de ganglios malignos na cavidade abdominal e vai fazer nova quimio, tem um rim parado, dores imensas, pois já toma morfina, e eu pergunto se realmente o resultado do Papanicolau é tão verdadeiro como dizem ? Receio imenso nesta fase em que ja estou na menopausa há 5 anos e fiquei viuva nessa altura, se devo confiar em todos estes resultado. Se me puder dar uma resposta sobre o que tenho e o porquê da minha amiga que tudo parecia bem estar, parece-me a mim, numa fase terminal....Obrigado Sr. Dr.


De info.HPV a 27 de Fevereiro de 2008 às 13:56
Achei esta página, li o seu post e decidi comenta-lo.
É lamentável a situação da sua amiga. Efectivamente uma citologia de Papanicolao única, tem uma sensibilidade muito baixa (50 a 60% segundo a WHO). Por esse motivo é que se recomenda a citologia anual, isto é, um grupo de 3 citologias já poderá ter uma sensibilidade aceitável. O teste de rastreio de cancro do colo do útero mais seguro no momento actual é a associação da citologia de Papanicolaou com o teste de HPV (Captura Híbrida 2). Já há muitos anos que a designação que refere na citologia que efectuou não é a recomendada internacionalmente, por isso é díficil saber qual a interpretação que foi efectuada no seu exame.


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Ginecologista obstetra


Doutorado em Medicina, este especialista de Ginecologia/Obstetrícia tem-se distinguido em Endoscopia Ginecológica e Medicina da Reprodução/Reprodução Medicamente Assistida. Em1990, foi-lhe atribuído o Prémio Nacional de Ginecologia. É professor associado da Faculdade de Medicina do Porto e autor de diversos trabalhos científicos. Actualmente exerce o cargo de presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução.
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